sexta-feira, 2 de julho de 2010

DEM, PV e PPS no mesmo palanque com Serra

Fernando Gabeira ao lado do Coronel Pereira na Convenção realizada no Rio de Janeiro


Mesmo que uma articulação perfeita costure a paz entre as cúpulas do PSDB e DEM, o desastre está feito. A campanha de José Serra começa sem a mobilização que chegou a surpreender até meados de maio. No episódio da escolha do vice, o que mais ofendeu os democratas foi a exibição pública das suas fraquezas. Aliados de primeira hora, não contaram com ajuda de peso nas alianças regionais e foram alijados das decisões sobre a chapa de Serra. Mas ameaçados de abandono, os tucanos colocaram os caciques em campo para acalmar as lideranças do DEM. Às vésperas de mais uma pesquisa, este é, sem dúvida, o pior momento para discutir a relação. No Rio de Janeiro a aliança entre o DEM, de César Maia, o PV, de Fernando Gabeira e o PPS, de Marcelo Cerqueira. O primeiro e o último saem para Senador, enquanto Gabeira vai disputar a vaga de governador do Estado. Na região o DEM lança para a disputar uma vaga na Alerj, como deputado Estadual, o político de Barra do Piraí, Coronel Pereira.

"Não tenho amantes", diz Índio.


Candidato do PSDB à Presidência, José Serra participa de sabatina na CNA



Serra afirmou a vice, sobre amantes, que tem que ser uma coisa discreta

Ao contar conversa que teve por telefone com o seu vice, deputado Indio da Costa (DEM-RJ), o presidenciável José Serra (PSDB) acabou falando uma frase de efeito e causando um misto de riso e de desconforto na plateia que o acompanhava. "Ontem, foi apresentado nosso Índio para a vice-presidência, um homem jovem, preparado, com experiência, que vai crescer muito e ter muito responsabilidade (...) Tem uma namorada e, me disse por telefone, “não tenho amantes”. Eu até disse, também não precisa exagerar. O que tem que ser é uma coisa discreta." Logo, complementou: "Não estou aqui pregando pular cerca no casamento, mas também não precisa exagerar", contou Serra em sabatina na CNA (Confederação Nacional da Agricultura e da Pecuária). O tucano disse ainda que é preciso estatizar o Estado brasileiro, em referência às agências reguladoras que, segundo ele, no governo Lula, foram loteadas pelos partidos da base aliada.
"Nós temos que estatizar o Estado brasileiro. Nós temos que estatizar as agências reguladoras. Elas foram apropriadas por setores privados, partidos políticos, sindicatos." Serra voltou a afirmar que, se eleito presidente da República, pretende acumular nos primeiros seis meses de mandato a chefia do Executivo e a presidência da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). "Ela foi extinta por questões de corrupção, foi recriada e continuou como se estivesse extinta, não aconteceu nada. Ela precisa recuperar a idéia de órgão de planejamento", afirmou o candidato tucano. A promessa já havia sido feita no final de maio, durante lançamento da pré-candidatura do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) ao governo de Pernambuco. Serra ainda criticou o andamento da construção da ferrovia Transnordestina. "Eu apresentei a proposta na campanha de 2002 de fazer acontecer a Transnordestina. Ela começou no oitavo ano deste governo. É capital privado, o governo vai entrar com nove, o capital privado com um. E mesmo assim não caminha, embora agora no ano eleitoral tem essa ilusão de que vai caminhar. E ela é crucial". A ferrovia é uma das obras previstas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), uma das vitrines da candidatura da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff.
O tucano criticou, ainda, o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manter dois ministérios com posições totalmente antagônicas: Agricultura e Desenvolvimento Agrário. Afirmou que Lula deve se divertir com as divergências e discussões que acontecem entre as duas pastas.
"Não podemos ter dois ministérios que se contrapõem com políticas diferentes. É uma coisa ineficiente isso. Como executivo, nunca botei gente que pensa ao contrário pra ficar me divertindo", afirmou. Serra disse que é preciso governar o Brasil com "estrabismo cívico": "um olho no presente e outro no futuro, como Jean Paul Sartre".

Serra e Dilma continuam empatados, diz pesquisa Datafolha

Dilma Roussef e José Serra continuam tecnicamente empatados


Depois das convenções que oficializaram suas candidaturas à Presidência e às vésperas do início oficial da campanha eleitoral, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estão tecnicamente empatados, segundo pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem em todo o país.
O tucano tem agora 39%, contra 38% de Dilma. Marina Silva (PV) aparece com 10%.
Entre os 2.658 entrevistados, 5% responderam que pretendem votar em branco ou nulo. Outros 9% disseram não saber. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O quadro mostra pouca variação em relação a 20 e 21 de maio, quando Serra e Dilma tinham 37% e Marina, 12%.
Em junho, Serra concentrou aparições em programas de TV de 10 minutos do PSDB, do PTB e do PPS, partidos que o apoiam. Também teve alta exposição em propagandas curtas de rádio e TV dessas legendas.
Em maio, o levantamento foi produzido após Dilma Rousseff também estrelar propagandas do PT.
Em maio, 29% diziam ter visto algum comercial do tucano nos 30 dias anteriores. Agora, 50% responderam "sim" à mesma pergunta.
Já em relação a Dilma, em maio 37% diziam ter lembrança de comerciais da petista nos 30 dias anteriores à pesquisa. Agora, o percentual é próximo: 34%.
O PT usou vários horários regionais de sua propaganda partidária para manter Dilma em evidência em junho.
Um resultado da maior exposição de Serra em junho fica evidente no levantamento espontâneo, quando os entrevistados dizem em quem pretendem votar sem ver uma lista de nomes.
Há um mês, o tucano tinha 14% na pesquisa espontânea. Subiu agora para 19%. Dilma estava com 19% e foi a 22%. Marina manteve 3%.
Nesse quesito, Dilma tem ainda potencialmente a seu favor os 5% que não sabem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se reelege e declaram voto nele.
Há também 4% inclinados a votar em quem Lula indicar e 1% no "candidato do PT".
Serra manteve a maior rejeição, com 24% dizendo que não votariam nele de jeito nenhum, mas a taxa teve leve queda: era de 27% em maio. Dilma se manteve com 20% de rejeição. Marina tem 14%, mesmo índice anterior.
No cenário em que são incluídos os candidatos "nanicos", o empate se mantém: Serra tem 39% e Dilma, 37%. Marina vai a 9%.
Apesar do empate, Dilma lidera quando o eleitor é questionado sobre a expectativa de vitória. Para 43%, Dilma será eleita, contra 33% dos que apostam em Serra.
Houve também estabilidade do cenário de eventual segundo turno. Serra aparece com 47% e Dilma com 45%. Em maio, o tucano registrou 45% contra 46% da petista.
Dilma continua tendo suas melhores taxas no Nordeste, onde subiu de 44% para 47%, e Norte/Centro-Oeste, onde foi de 40% para 42%.
Já Serra está melhor no Sul, onde sua intenção de voto subiu de 38% para 50%, e no Sudeste, onde tem 43%, contra 40% de maio.

Ministro do STF suspende lei da Ficha Limpa para Heráclito Fortes

Ministro Gilmar Mendes, do STF, deu a liminar suspendendo os efeitos da lei
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes suspendeu nesta quinta-feira a aplicação da lei da Ficha Limpa para o senador Heráclito Fortes (DEM-PI). O senador, que tentará a reeleição, foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Piauí por conduta lesiva ao patrimônio público. A nova lei impede a candidatura de políticos que foram condenados por um colegiado (quando há mais de um juiz). Após a sua condenação, Fortes entrou com um recurso suspensivo no STF. A ação começou a ser julgada em novembro do ano passado pela 2ª Turma, mas foi interrompida por pedido de vista do ministro Cezar Peluso. Gilmar Mendes justificou a suspensão da Ficha Limpa ao dizer que o recurso não poderá mais ser julgado antes do prazo de registro das candidaturas. A próxima sessão da 2ª Turma será apenas em agosto.









Tranquilidade exibida por Bruno em entrevista não impressiona delegado

Após dizer que estão evoluindo a cada dia as investigações sobre o desaparecimento da estudante Eliza Silva Samudio, o chefe do Departamento de Investigações da Polícia Civil de Minas Gerais, Edson Moreira, comentou a tranquilidade demonstrada pelo goleiro Bruno, ex-namorado da moça, ao falar sobre o caso no Rio.
“Em cima da experiência que tenho em investigações, tranquilidade ou falta dela para mim não quer dizer nada”, disse.
Edson Moreira informou ainda que Bruno segue como primeiro suspeito pelo desaparecimento de sua ex-namorada, de quem não se tem notícia desde o dia 9 de junho, quando uma testemunha ouvida pela polícia conta que conversou com a estudante pelo telefone.
O delegado reafirmou que o jogador do Flamengo será chamado a depor no “momento certo”.
“Vocês estão muito ansiosos para ver o Bruno. É preciso ir com calma”, disse.
Sobre o conteúdo das declarações do goleiro do Flamengo, o policial mineiro evitou comentários.
“O que ele falou hoje eu não vou rebater ou responder”, disse o delegado.
Edson Moreira observou que o foi falado por Bruno, em rápida entrevista no final da manhã desta quinta-feira, após treinar no Ninho do Urubu, não pode ser levado em conta.
“Não é coisa oficial, não está nos autos, quando for oficial, poderemos fazer comentários. Mas é claro que não vamos deixar de pegar o que foi dito e analisar”, ressalvou Moreira.
“Não posso ficar atento ao que se está falando daqui e de lá. Eu só vou tratar de assuntos oficiais. As investigações estão progredindo e tudo o que foi falado oficialmente e pontuado nos autos, nós vamos falar”, acrescentou. O chefe do Departamento de Investigações, em entrevista coletiva, nesta quinta-feira, revelou que considera o caso Eliza como “complexo”, por vários motivos, entre eles, não estar se desenvolvendo somente em um Estado, e por envolver uma pessoa influente. “O Bruno é ídolo de uma grande nação e é um goleiro, uma pessoa famosa. É preciso ir com muita calma, muita firmeza, para não incorrer em deslize, não errar. A investigação tem que ser retilínea, como sempre foram feitas pelo Departamento de Homicídios de Minas Gerais”, afirmou. Para comprovar a complexidade dos trabalhos, Edson Moreira disse que a investigação em curso tem várias ramificações. “Todas serão conduzidas pelo Departamento de Investigações de Minas Gerais porque como tudo indica, o desaparecimento de Eliza aconteceu em nosso Estado”, disse.