sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Chega a 746 número de mortos na região serrana do Rio


O último boletim da Defesa Civil estadual, liberado ontem (20), apontou um total de 746 mortos na região serrana do Rio por causa das chuvas.


746 é o número de mortos até agora, sendo esta, a informação já retificada pela Defesa Civil visto que havia sido divulgado pela mesma que os mortos eram 765, mas um tempo depois, a Defesa Civil retificou a informação, passando então os dados corretos dos óbitos.
O maior número de óbitos foi registrado em Nova Friburgo, 359, seguido por Teresópolis, 302, Petrópolis, 64, e Sumidouro, 21. Um total de 13.830 pessoas estão fora de suas casas, afetadas total ou parcialmente pela forte enxurrada da madrugada do dia 12. Há também os desabrigados (que perderam suas casas e estão em abrigos).
Petrópolis registra 3,6 mil desalojados e 2,8 mil desabrigados. Nova Friburgo tem 3.220 desalojados e 1.970 desabrigados, e Teresópolis, 960 desalojados e 1.280 desabrigados.
Estado criará rede integrada de radares meteorológicos


As secretarias do Ambiente e de Ciência e Tecnologia juntarão esforços e recursos para a criação de uma rede de monitoramento de áreas de risco em todo o Estado do Rio de Janeiro.


O anúncio foi feito nesta quarta-feira (19) pelo secretário do Ambiente, Carlos Minc, depois de assinar a portaria que formaliza a parceria entre os órgãos. No próximo verão, radares meteorológicos estarão operando 24 horas por dia para alertar, até 12 horas antes, sobre a ocorrência de fortes chuvas.
- Nós já fazemos o nosso mapeamento com o Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro (DRM). Combinei com o secretário de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, nosso parceiro, de fazer esse mapeamento de risco na mesma padronagem. Os critérios precisam ser iguais em todos os municípios fluminenses. Os radares serão ligados a nível nacional, principalmente com São Paulo. A medida deve ser publicada no Diário Oficial do Estado do Rio da próxima segunda-feira - afirmou Minc.
De acordo com a Secretaria do Ambiente, os radares serão instalados em Macaé e Resende. Simultaneamente à criação da rede de monitoramento da distância, da intensidade e do avanço das tempestades, será realizado o treinamento das defesas civis municipais para garantir agilidade e eficiência na comunicação dos alertas.
- Para cobrir todo o espaço - fazendo uma operação conjunta entre as secretarias do Ambiente e Ciência e Tecnologia e adquirindo dois radares, softwares e qualificando equipes - precisaremos de investimentos de mais ou menos R$ 30 milhões. A previsão é adquirir todos os radares através de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) - disse Carlos Minc.
A presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, apresentou também nesta quarta-feira (19/01) os números do sistema de alerta de cheias do Inea, que mostram que foi bem maior do que tem sido divulgado o volume de chuvas, causa da maior tragédia da história dos desastres naturais do país.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Teresópolis registrou 124,6 mm de chuva no último dia 12, contra uma máxima histórica de 140,8 mm em 28 de janeiro de 1977. Já em Nova Friburgo, a chuva alcançou 182,8 mm no dia dos desabamentos, mas, como essa estação do Inmet só entrou em operação no ano passado, não há uma série de dados para comparação. Entretanto, uma estação antiga, que funcionou na cidade entre 1961 e 2003, marcou como recorde 113 mm em 24 de janeiro de 1964.
- Houve um engano na informação divulgada pelo Inmet, porque ele comparou a chuva de uma estação que está fora da área atingida com um dado histórico. As nossas medições mostram que a tempestade foi de 249 mm em Friburgo, similar ao que o instituto mediu. Entretanto, em relação ao resultado da chuva sobre o território, verificamos que todos os indícios apontam que a mesma intensidade de chuva que aconteceu em Friburgo, aconteceu em Teresópolis e Petrópolis. Resumindo: não há como afirmar se já aconteceu ou não chuvas maiores naquela região - explicou Marilene Ramos.
Governo dará isenção aos produtores rurais que perderam sua lavoura


A Secretaria de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca do Rio de Janeiro (SEDRAP) editou, nesta quarta-feira, 19, portaria na qual constitui Comissão para avaliar a extensão da tragédia para os produtores rurais da Região Serrana.


Um dos objetivos da Comissão é isentar aqueles que tenham, comprovadamente, tido sua produção afetada pelas chuvas, da taxa de uso das Ceasas de Irajá, Rio e Columbandê, São Gonçalo.
A Comissão é composta por membros do corpo técnico da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca do Rio de Janeiro e também pelo presidente da Associação dos Produtores Hortifrutigranjeiros do Estado do Rio de Janeiro (APHERJ), Delcy Resende da Silva. A Comissão contará com a parceria da Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária, via EMATER, para auxiliá-la na identificação das lavouras e dos produtores que realmente tiveram prejuízos com as chuvas.
O secretário de Desenvolvimento Regional, Felipe Peixoto, acredita que a isenção ao produtor rural credenciado na Ceasa possa garantir condições mínimas de comercialização a estas pessoas que perderam sua lavoura e, em muitos casos, seus lares, para reiniciar suas atividades produtivas.
- Seguimos orientação do Governo do Estado para amparar o produtor rural em todos os momentos. Esta é uma maneira de desonerar o agricultor familiar. À medida que você os alivia, os preços tendem a baixar para o consumidor - afirma Peixoto.
Ceasa de Nova Friburgo também dará anistia
O comerciante instalado na Ceasa de Conquista, localidade de Nova Friburgo, também ganhará isenção nas taxas de uso do mercado.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca, Felipe Peixoto, o comerciante de produtos agropecuários da Ceasa de Nova Friburgo que teve prejuízo com as chuvas, ficará isento da taxa de uso do mercado.
- Se a loja foi inundada por água, as mercadorias foram perdidas. Se o adubo molhou, é prejuízo para o comerciante. Quando a SEDRAP o desonera, ele não repassa seu prejuízo para o consumidor. Esta é uma forma indireta de ajudar o produtor rural, que no mercado de Nova Friburgo já é isento de taxas”, avalia Peixoto.
O secretário Felipe Peixoto passou esta quarta-feira, 19, conversando com produtores rurais das localidades atingidas pelas chuvas, como São José do Vale do Rio Preto, Macuco, Manoel de Moraes, Sumidouro, Areal, São Sebastião do Alto e Bom Jardim. Peixoto visitou também Nova Friburgo e seguiu para Conquista, onde passou a noite acampado.
A Ceasa de Conquista fica na RJ 130, na altura do KM 47,5, entre os municípios de Teresópolis e Nova Friburgo.
Prefeituras da serra fluminense poderão autorizar aluguel compartilhado de casas


Começa hoje (21) o cadastro dos desabrigados pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro que receberão aluguel social.


O cadastramento será feito pelas prefeituras e o benefício será pago pela Caixa Econômica Federal (CEF) por meio dos cartões do Programa Bolsa Família ou de contas-correntes simples, que podem ser abertas nas agências da própria instituição financeira.
Quem perdeu documentos, cartões bancários ou o cartão do Bolsa Família, deve procurar as secretarias municipais de Assistência Social e preencher o formulário da Declaração Especial para Beneficiários Localizados em Municípios em Estado de Emergência. A Caixa Econômica também pretende levar aos municípios atingidos caminhões que vão funcionar como agências móveis, na tentativa de acelerar o trabalho de concessão dos benefícios.
O governo estadual destinará, ao longo do ano, R$ 40,8 milhões para prefeituras de sete cidades. O dinheiro atenderá 6 mil famílias de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, que receberão R$ 500 por mês. Em Areal, Bom Jardim, Sumidouro e São José do Vale do Preto, o aluguel social é de R$ 400 e vai beneficiar cerca de mil famílias. O aluguel social é destinado às pessoas que estão em abrigos ou que serão removidas de áreas de extremo risco. Paralelamente, as prefeituras deverão incluir os atendidos em programas habitacionais permanentes.
“Esse auxílio é emergencial”, reforçou o secretário de Assistência Social do Rio, Rodrigo Neves. Perguntado sobre a alta dos preços dos aluguéis na região serrana e a possibilidade de faltar imóveis que atendam ao perfil dos desabrigados, ele disse que a pasta estuda autorizar “o compartilhamento” de casas por famílias do mesmo núcleo.
“Conversamos com as prefeituras e orientamos as equipes da assistência social, em alguns casos, até pela cultura enraizada de união das famílias, de convivência, de autorizar o compartilhamento por pessoas de uma mesma família, de uma casa que possa acolher duas famílias, por exemplo”, explicou.
O secretário também lembrou que tendas com capacidade para abrigar até dez pessoas serão emprestadas por uma instituição internacional de ajuda humanitária, para atender os desabrigados e desalojados até a construção de casas ou inclusão em programas habitacionais.
Inmet prevê chuvas isoladas na região serrana do Rio

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) preveu para ontem (20) chuvas fortes e rajadas de vento nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Minas Gerais.


No Rio de Janeiro, a previsão é de céu claro a parcialmente nublado com chuvas isoladas na região serrana do estado.
De acordo com o boletim divulgado pela Defesa Civil de Minas Gerais, 84 municípios decretaram situação de emergência. Foram registrados até hoje 16 mortes, 16.957 desalojados, 2.594 desabrigados e 78 feridos no estado. O tempo para o dia de hoje será nublado com pancadas de chuva e trovoadas em toda a região.
Segundo o meteorologista do Inmet Lúcio de Souza, a tendência esta semana é de diminuição das chuvas no estado do Rio de Janeiro. “As chuvas no Rio de Janeiro passam a ser passageiras, típicas de verão, com a temperatura máxima de 36 graus Celsius (ºC).”
A Defesa Civil do Rio de Janeiro contabilizou até o dia de hoje em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, 298 mortes, 3.679 desabrigados e 4.530 desalojados.